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ESTE BLOG É DE PROPRIEDADE DE ITALO JUNIOR

sábado, 31 de julho de 2010

FILME GANDHI





Sinopse :

África do Sul, início do século XX. Após ser expulso da 1ª classe de um trem, o jovem e idealista advogado indiano Mohandas Karamchand Gandhi (Ben Kingsley) inicia um processo de auto-avaliação da condição da Índia, que na época era uma colônia britânica, e seus súditos ao redor do planeta. Já na Índia, através de manifestações enérgicas, mas não-violentas, atraiu para si a atenção do mundo ao se colocar como líder espiritual de hindus e muçulmanos.




ASSISTA ONLINE ABAIXO


Livro Análise da Inteligência de Cristo Vol 1 – O Mestre dos Mestres


RESENHA:
O Mestre dos Mestres tem por objetivo analisar as características da personalidade de Jesus. Cury considera que a ciência teria se omitido em pesquisar sobre Jesus e, por isto, busca neste livro expor seus estudos sobre a personalidade “daquele que dividiu a história da humanidade”. Segundo o livro, Jesus era uma pessoa que pensava antes de reagir, não impunha suas idéias limitando-se a expor o que pensava e que tratava cada ser humano como um ser único. A seu ver, a personalidade de Jesus seria complexa, misteriosa e de difícil compreensão.


Livro Análise da Inteligência de Cristo Vol 2 – O Mestre da Sensibilidade


RESENHA:
O Mestre da Sensibilidade tem como foco o lado emocional de Jesus. Neste livro, Augusto Cury diz que Jesus teria tido todos os motivos para ter desenvolvido uma depressão ou ter sofrido de ansiedade. Porém, o autor busca explicar como que Jesus conseguiu ser uma pessoa alegre, livre e segura. De acordo com o livro, Jesus encontrava o significado da vida nas coisas mais simples e anônimas.


Livro Análise da Inteligência de Cristo Vol 3 – O Mestre da Vida


RESENHA:
O Mestre da Vida investiga as etapas do julgamento de Jesus, diante das dramáticas situações de tortura e de humilhação experimentadas. Augusto Cury ressalta o fato de que, através de seu silêncio, Jesus conseguiu gerar uma enorme perplexidade nas pessoas através de olhares e de pequenas frases. Neste livro, o autor prestigia também em seus estudos a brevidade da vida e a importância de se valorizar cada momento na trajetória humana.




Livro Pemba: A Grafia Sagrada dos Orixás


RESENHA:
Uma análise e explanação detalhada, alicerçada em fatos históricos, antropológicos e sociológicos do meio de comunicação entre os Orixás e seus fiéis. As origens da Umbanda esotérica consubstanciada na fusão das suas quatro raízes (ameríndia, melanida, ariana e helenosemita). As bases para identificar uma autêntica codificação de uma grafia sagrada, refletindo estruturas esquemáticas do mundo astral. Glossário, fotos, desenhos e tabulações. 


Livro A Divina Sabedoria Dos Mestres


RESENHA
A Divina Sabedoria dos Mestres indo além dos outros livros de autoria do Dr. Brian, faz um elo entre todas as descobertas do famoso psiquiatra.
Ele explica como usar o conhecimento acumulado para trazer alegria, equilíbrio e harmonia para sua vida, a partir desses conhecimentos.

Ensina como livrar-se do medo, das ansiedades, da tristeza, da raiva e de todos os sentimentos e pensamentos negativos, portanto, prejudiciais...

O livro trata de algo essencial à vida; o amor. Não apenas o amor romântico ou o amor pelas coisas materiais, (especialmente o amor a si mesmo e aos outros seres). Quando se vive intensas experiências espirituais, a energia do amor está sempre presente. É um amor incondicional, absoluto e transcendental.
É uma energia atemporal, eivada de sabedoria e compaixão.

O amor é a essência do ser e do universo. É ele que une e conecta todas as coisas e pessoas. Mais que um objetivo, mais que um combustível de sustentação, mais que um ideal. De tal sorte que o ser humano, é o amor. Que ele possa manifestá-lo e irradiá-lo para os outros. Como conseqüência, irá inevitavelmente experimentar mais alegria, saúde e felicidade. 


 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

preconceito umbandístico

Queria falar de uma espécie preconceito que existe, e muitas vezes não damos conta que existe, pois muitas vezes optamos por discutir o preconceito religioso, sendo este de fora pra dentro da nossa religião. Gostaria de adentrar no preconceito umbandístico (se o nome não existe, criei agora, muito embora desde 1908, acredito que deva existir o sentimento).

Há muito tempo, cada de um nós adquire experiências que se encaixam perfeitamente neste tema que estou abordando. É fato lastimável e quesito sustentador que comprova cada vez mais porque é a Umbanda uma religião que, embora linda, ainda seja motivo de galhofa... Mas galhofa porquê? Por que existem aqueles que atiram pedras? Sim, existem... Mas existem aqueles que dão motivo para tal. Talvez haja um culpado, mas se há, de quem seria? Da mídia que em programas de comédia pastelão, em novelas horripilantes, mas de grande audiência, falam do Exu que cobra pra fazer feitiço, da macumba na encruzilhada, da amarração do homem perfeito? É do Evangélico, público fiel que mais cresce no mundo (podem ser o que for, mas é uma realidade)? É do católico? Do Espírita que, em sua grande parte, olha torto para nós, achando que apesar de médiuns, trabalhamos com espíritos xucros e atrasados, viciados em bebida e fumo? Ou dos candomblecistas mal orientados que dizem que a Umbanda, apesar de ser uma ramificação deles (um absurdo), é fraca, pois vê os Orixás como santinhos e nossas mandinguinhas são de arroz doce? Não, a culpa é do umbandista. É ele o maior câncer preconceituoso que existe e depõe contra a própria religião.

É o umbandista vaidoso que, por saber um pouco mais que o outro, o julga ignorante e diz que este faz tudo errado. 
Édo umbandista orgulhosoumbandista invejosoumbandista irresponsável que acha que pode ir quando quer ao seu terreiro, fazer o que quiser e não dar satisfações aos seus dirigentes, sejam eles encarnados ou espirituais. 
É o umbandista fanático e radical que acha que "tudo é o santo", não sabe caminhar com suas pernas e vive dependente do que os guias dirão e não admite outros conceitos. 
É o umbandista babaca que fica criticando seus irmãos, usando de palavras irônicas e rindo das limitações dos mesmos, ironizando suas colocações humildes e de falta de oportunidade de conhecimento que este mesmo babaca teve. que, ao ver que o seu irmão de fé, por trabalhar num outro terreiro e, diante disso, seguir as normas do seu Guia Chefe, tacha-o de errado e ignorante, por não fazer o seu ritual dentro da sua cartilha. É o que, por visitar o terreiro do irmão e reparar que este conseguiu colocar um piso novo, antiderrapante, enquanto o seu ainda é de cimento, critica-o veladamente, com o rótulo do esnobismo e ostentação. É o umbandista preguiçoso e maledicente que chama o irmão de visionário, só porque ele acredita que tudo deva ter um porque e diante disso, procurou aprender e estudar, enquanto esse acha que os guias fazem e resolvem tudo, enquanto ele apenas incorpora. É o umbandista melindroso que fecha sua cara e solta farpas, também veladas, quando é chamado à atenção por sair da disciplina e ser lembrado que sua conduto é anti-evangélica. 

É o umbandista irresponsável que acha que pode ir quando quer ao seu terreiro, fazer o que quiser e não dar satisfações aos seus dirigentes, sejam eles encarnados ou espirituais. É o umbandista fanático e radical que acha que "tudo é o santo", não sabe caminhar com suas pernas e vive dependente do que os guias dirão e não admite outros conceitos. É o umbandista babaca que fica criticando seus irmãos, usando de palavras irônicas e rindo das limitações dos mesmos, ironizando suas colocações humildes e de falta de oportunidade de conhecimento que este mesmo babaca teve.

Como diz o Caboclo Ventania (lembrei-me agora das "Sete Lágrimas de um Preto Velho" do Matta e Silva), que ao vermos umbandistas assim, cuspindo no hino da umbanda, a fim de que reflitam não a luz divina, mas o néon de suas vaidades através dos holofotes de sua ignorância espiritual, os seus Guias e os Orixás choram. Choram lamentando por verem seus filhos e tutelados ciscando pela vida alheia, esquecendo-se da sua, não pegando uma minhoca sequer (essa eu já parafraseei o amigo Sr. Malandrinho).

Não estou aqui apontando ninguém, nem me julgando acima de nada, apenas refletindo, pois percebo que muitos umbandistas criaram um dogmatismo pessoal, uma vez que na Umbanda não existem dogmas. Se eu estivesse aqui julgando estaria sendo um umbandista inquisidor, e prefiro deixar o julgo para Quem é de direito, com Toda a Sua Justiça e Lei se aplicando, e ser um umbandista reflexivo, mas atuante, ativo, dentro da minha religião. Quero sim realçar que quando recebemos algo do Alto, iremos ser cobrados... A quem muito é dado, muito será cobrado... Por isso que também existe o umbandista covarde, pois tem medo do compromisso.

Foi apenas uma reflexão sobre este mal que assola pelo mundo e vemos acontecer na nossa Umbanda, tão eclética que respeita e abarca a todos os graus conscienciais dos filhos de fé que a amam. E esse preconceito velado existente, meus irmãos, como diria Aline Barros (cantora evangélica), é tremendo. Só que para ela o "tremendo" é o poder de Deus, que todos temos que concordar... Mas o tremendo a que me refiro é ao porte volumoso de preconceito incubado. É Aline, é tremendo... E tremendo fico eu, de nervoso, quando vejo ignorância, hipocrisia, utilitarismo por parte não dos leigos, mas dos que militam na nossa religião, sendo adeptos ou médiuns.

Axé para todos!

Fonte:
Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz - Pai Júlio Cezar

EVANGELHOS APÓCRIFOS - SALMOS DE SALOMÃO 1ª PARTE


Os Salmos de Salomão formam uma coleção de 18 salmos atribuídos ao famoso filho de Davi, mas que provavelmente teve a sua origem no século II ou I a.C.. Pensa-se em vários autores ou em um único autor. Seja como for, mantém íntima ligação com os salmos canônicos, imitando muito bem o estilo, e mostra uma forte posição conservadora judaica. Ênfases tais como a justiça, a retribuição divina, o determinismo e o livre arbítrio humano apontam para assuntos debatidos posteriormente pelos fariseus. Ainda há uma forte tendência messiânica, como por exemplo no salmo 17.
Salmos de Salomão
 

Salmo de Salomão 1
1. Clamei ao Senhor Deus na minha tribulação até o fim, no Deus que provê os pecadores
2. Imediatamente escutaste o clamor de guerra diante de mim , eu disse: "ele me atenderá",
"cumprirei a justiça"
3. Ponderei no meu coração: "cumprirei a justiça na minha prosperidade, e ao ter muitos filhos";
4. A riqueza deles será distribuída por toda a terra, e a glória deles até os confins da terra;
5. Exultarão até dizerem das estrelas: "certamente não cairão"
6. Também tornaram-se insolentes devido a seus bens, mas não suportaram.
7. os seus pecados são secretos; e eu, ele não viu?
8. As suas iniqüidades estão sobre eles mesmos; os povos grandemente profanaram o santuário do
Senhor.


EVANGELHO APÓCRIFO - Salmos de Salomão 2ª Parte - Sobre Jerusalém


1. Quando desdenharam o pecador, com aríete deitou abaixo o muro fortificado, e não impediste.
2. Subiram em cima do teu altar, os povos estrangeiros pisaram com sandálias arrogantes.
3. Porque os filhos de Jerusalém (Jl 3.6) contaminaram o Santuário do Senhor, profanaram
malignamente o dom de Deus.
4. Devido a estas coisas disse: "lançastes a vós mesmos longe de mim; não tenho prazer em vocês".
5. A beleza da glória dela foi desprezada; diante de Deus foi desonrada até o fim.
6. Os filhos e as filhas estão em maligno cativeiro, seus pescoços selados são notórios às nações.
7. Conforme seus pecados lhes fez, porque os abandonou nas mãos dos vencedores.
8. E desviou o seu rosto da misericórdia, do seu jovem e do idoso, e dos seus filhos continuamente;
porque fizeram mal continuamente para não escutar.
9. O céu irritou-se, e a terra se horrorizou deles, porque todo homem não fez tanto quanto se faria
por ela.
10. E a terra saberá todos os teus justos juízos, Deus.
11. Os filhos de Jerusalém foram um escárnio diante das prostitutas; todo aquele que passasse por
ela entrava perante o sol.
12. Desdenharam as suas iniqüidades, conforme faziam diante do sol expunham publicamente ao
ridículo suas injustiças.
13. E as filhas de Jerusalém profanaram, conforme o teu juízo diante das que se contaminaram a si
mesmas na confusão de relacionamentos.
14. Aflijo o meu ventre e minhas entranhas por eles.
15. Eu te reconheço, Deus, com retidão de coração; porque nos teus juízos está a tua justiça.
16. Porque retribuíste os pecadores segundo suas obras, e segundo os seus mui malignos pecados.
17. Desvelaste os seus pecados a fim de que se manifeste o teu juízo; apagaste a sua memória da
terra.
18. Tu és o Justo Juiz, e não bajulas ninguém.
19. E os povos insultaram Jerusalém; quando pisar, destruirá a sua beleza desde o trono de glória.
20. Pôs saco no lugar da roupa de gala, corda sobre suas cabeças no lugar de coroa.
21. Removeu a mitra de glória a qual vestira nela; Deus lançou por terra na desgraça a sua beleza.
22. E eu vi, e implorei a face do Senhor, e disse: "Pesa abundantemente as tuas mãos sobre
Jerusalém, no ajuntamento das nações".
23. Porque zombaram e não pouparam, em ira e furor com ressentimento; e foram exterminados, se
não tu, Senhor, os repreenderias na tua ira.
24. Porque não foi no zelo que fizeram, mas na concupiscência da alma, para derramar a ira deles
sobre nós com roubo.
25. Não demores, ó Deus, a retribuir-lhes pelos chefes, para falar arrogantemente ao inimigo em
humilhação.
26. E eu não demorei até que Deus me mostrou o seu orgulho: feriram sobre os montes do Egito o
insignificante desprezado, sobre a terra e o mar.
27. Seu corpo está espalhado sobre as ondas na orgulhosa cidade, e não era enterrado, porque o
desprezou em humilhação.
28. Não considerou o que é o homem, e não considerou o futuro.
29. Ele disse; "Eu serei senhor da terra e do mar", e não reconheceu que Deus é grande, forte em
seu grande poder.
30. Ele é rei sobre os céus e o que julga reis e príncipes.
31. O que me levanta em glória e deixa no túmulo os arrogantes para destruição eterna em
humilhação, porque não o reconheceram.
32. E agora vede, grandes da terra, o juízo do Senhor; porque é grande rei e o que julga retamente
ao que está abaixo do céu.
33. Louvai a Deus os que temem o Senhor em sabedoria, porque a misericórdia do Senhor está
sobre os que o temem com juízo.
34. Para distinguir entre o justo e o pecador (Ml 3.18), para retribuir aos pecadores conforme as
suas obras para sempre.
35. Para ter misericórdia do justo livrando-o da humilhação do pecador, e para retribuir ao pecador
pelo que fez ao justo.
36. Porque o Senhor é bom para com os que o invocam insistentemente, para fazer aos teus santos
conforme a tua misericórdia, para firmar por tudo diante de ti em poder.
37. Bendito seja o Senhor para sempre diante de seus servos.

POR TRÁS DE UMA GIRA DE UMBANDA



Firma o ponto minha gente
Preto Velho vai chegar
Ele vem de Aruanda
Ele vem prá trabalhar...
 
Era dia de "gira de preto velho" naquele terreiro. Enquanto os consulentes chegavam ansiosos e esperançosos em levar de volta a "solução" daqueles problemas que atrapalhavam suas vidas, na frente do congá os médiuns vestidos de branco e de pés descalsos concentravam, ligando-se aos seus protetores e guias.
O ambiente denotava simplicidade e era mobiliado apenas por algumas cadeiras para acomodar os consulentes, poucas banquetas para os médiuns que serveriam de "aparelhos" às entidades espirituais e o congá onde um vaso de flores, outro de ervas e os elementos ar, fogo, água e terra se faziam presentes. Acima, uma imagem de Jesus resplandescente de luz.

Iniciando-se a sessão através de pontos cantados e orações, após uma leitura espiritualista elucidativa, iniciavam-se as incorporações de maneira moderada. Do lado astral, as falanges de trabalhadores já haviam chegado muito tempo antes dos médiuns e ali já haviam preparado o ambiente fluidicamente. Uma varreduda energética havia sido feito pelos elementais onde primeiramente atuaram as salamandras e após as sereias e ondinas, fazendo com que toda a matéria astralina densa que ali se encontrava, fosse transmutada permitindo a chegada dos espíritos trabalhadores.
Na porta do ambiente, junto à firmação de ponto riscado e da presença do elemento fogo, postava-se o guardião da Casa, Exu Gira Mundo, impondo respeito e segurança. Num raio de 360º ao redor da construção, uma guarnição dos caboclos na egrégora de Ogum formavam verdadeira muralha armada, impedindo a invasão de seres indesejáveis ao bom andamento do trabalho da noite. A construção toda estava no interior de grande pirâmide iluminada na cor violeta, com grande e grossa placa de aço imantado na parte inferior impedindo que o excesso de energia telúrica desequilibrasse a polaridade positiva que era captada pelos sete anéis giratórios que ladeavam a pirâmide, representando as Sete Linhas de Umbanda. Cada um desses anéis destacam-se na cor fluídica de seu Orixá e emitiam um harmonioso som diferenciado.
Cada um dos consulentes que adentrava ao ambiente passava agora primeiro pela defumação que queimava junto à porta, em cumbuca de barro, exalando o cheiro das ervas perfumadas sendo incineradas pelo carvão vegetal. Equipes de limpeza se movimentavam no lado espiritual, recolhendo as larvas astrais e outras espécies de energias deletéreas que ali eram desagregadas dos corpos dos consulentes, as quais não eram totalmente absorvidas pelo carvão ou transmutadas pelo elemento fogo.
Em alvíssimas vestes, os amados Pais e Mães, na sua roupagem fluídica de Pretos velhos, trazendo a alegria estampada em sua energia, tomavam conta de seus "aparelhos" médiuns, atuando no chácra básico dos mesmos, obrigando-os a dobrar as suas costas à semelhança de velhos arqueados, incentivando-os ao trabalho fraterno.

E assim, de consulente em consulente, de caso em caso, com a paciência e sabedoria que lhes é peculiar, entre uma baforada e outra de palheiro ou de alguma espanada com o galho de ervas na aura daqueles filhos, os bondosos espíritos cumpriam sua missão. Eram conselhos, corrigendas, desmanche de magia negra, de elementares artificias negativos, limpeza e equilibrio dos corpos sutis, retirada de aparelhos parasitas e às vezes, alguns puxões de orelha necessários, em forma de alerta. Tudo de acordo com o merecimento do consulente, pois cada um trazia consigo a mostragem de sua "ficha cármica" onde estavam impressos o que a Lei permitia ser mudado, bem como o que ainda era necessário que com eles permanecesse.

Vó Benta, espírito portador de grande sabedoria e humildade, apresentando-se naquele local com o corpo astral de negra velha de pequena estatura, com roupas simples e alvas, cuja saia comprida e larga era coberta por um avental onde um bolso era recheado de ervas e patuás, tinha uma maneira simplista e diplomática de fazer com que os filhos entendessem que eles próprios eram seus médicos curadores:
-Minha mãe, acho que estou sendo vítima de "trabalho feito" pela minha ex mulher...
Sorrindo e com linguagem peculiar, segurava com firmeza as mãos do moço passando-lhe com isso confiança e com a voz recheada de afeto respondia:

-Negra velha vai explicar para que o filho entenda: - quando sua casa está totalmente fechada, fica escura e nada pode entrar, às vezes nem a poeira. Não é isso? Quando o filho abre as janelas e portas, a luz do sol entra invadindo todos os cantos, mas podem entrar também as moscas, baratas, formigas e até os ladrões, não é? Para a sujeira e os bichos, o filho pode usar a vassoura, para os ladrões a lei, a segurança. E para a luz do sol? Ah, essa filho, fica ali iluminando até que o filho feche toda a casa outra vez. Assim também é a nossa casa interna; quando nos fechamos para a vida, para o trabalho, ficamos no escuro e ao nos abrirmos , deixamos a luz entrar mas ficamos sujeitos a todas as outras energias que pululam ao nosso redor. Mas como acontece na casa material, onde não houverem os atrativos da sujeira e do lixo, os insetos não se aproximam. Se estivermos equilibrados, sem raiva, mágoa, ciúmes, vícios e todos esses lixos que os filhos buscam na matéria, nada nem ninguém consegue afetar nossa energia, nossa vida. Só o sol permanece no coração de quem procura manter-se limpo.

Negra velha sabe que esse mundão está de cabeça para baixo. No lado material os filhos andam desarvorados pela dificuldade de sustento de suas famílias, quando não, em busca de supérfluos. Mas mesmo assim, é preciso lembrar aos filhos, que embora estejam na matéria e sujeitos à ela, a vida real está no espírito imortal. É preciso dar mais atenção, senão prioridade, à essência em detrimento do restante, para que possa haver o equilíbrio dos elementos inerentes à vida, na sua totalidade.

O mal que é enviado aos filhos, só vai instalar-se se encontrar no endereço vibratório, ambiente adequado. Sem contar que, o medo é porta aberta e atrativo para a entrada do desequilíbrio. O medo é sentimento muito usado pelas energias da esquerda, uma vez que fragiliza o corpo emocional facilitando sua atuação mórbida. Por outro lado, negra velha pergunta para o filho: - se a desordem não houvesse se instalado, por acaso o filho estaria aqui, sentado no chão, em frente à preta velha, buscando humildemente ajuda espiritual? Nem sempre o que nos parece mal, é tão prejudicial assim. Pode ser o remédio adequado para o momento, ou talvez a estremecida necessária no corpo astral dos filhos, para que a ordem possa reinstalar-se.

As trevas, meu filho, estão vinte e quatro horas de plantão. E os filhos, acaso estão? Não adianta orar e não vigiar, pois o pensamento é energia e com ele nos adequamos ao campo energético que quisermos.
Antes da hora grande as falanges da egrégora dos Pretos Velhos, despediram-se de seus aparelhos, alguns precisando largar e desfazer a vestimenta astral usada para que pudessem chegar até os aparelhos mediúnicos e voltavam agora para as bandas de Aruanda, onde continuariam suas atividades no mundo astral. Pois como diz a Vó Benta, "se pensam que morrer é dormir e descansar, os filhos estão muito enganados...desse lado tem muito trabalho e como nem o Pai está imóvel, quem somos nós cuja ficha cármica demonstra um vasto débito, para nos aposentarmos?".

Agora as velas apagam-se, os elementos voltam a integrar a natureza, os elementais após limparem o ambiente retornam aos seus devidos reinos, os elementares foram desagregados pela força e sabedoria dos pretos velhos e os médiuns voltam aos seus lares com a sensação de paz que só é sentida por aqueles que cumprem com seus deveres.

Preto velho já foi,
Já foi prá Aruanda,
A benção meu Pai
Saravá prá sua banda...

FONTE: Jornal Sagrado de Umbanda

terça-feira, 27 de julho de 2010

OS CABOCLOS E SUAS INFLUÊNCIAS EM NOSSAS VIDAS



CABOCLO 7 PENAS: Ajuda no desenvolvimento mediúnico, orientando e esclarecendo sobre a espiritualidade.

CABOCLO COBRA CORAL: Tem como objetivo alcançar a cura e o bem estar dos filhos através de passes e banhos de ervas. Protege contra traições e inveja.

CABOCLA JUSSARA: Falangeira da Cabocla Jurema. Trabalha a intuição e cautela.

CABOCLO ROMPE-MATO: Abre caminhos e trabalha a ousadia, a coragem nos médiuns. É rígido e compenetrado em suas obrigações. Protege contra a falta de concentração.

CABOCLO TUPINAMBÁ: É chefe de falange. Ligado a Tupi, um dos nomes mais respeitados na hierarquia dos Caboclos. Ajuda a manter a ordem e a disciplina.

CABOCLA JUPIRA: Ligada as águas doces dos rios e lagos. Tem como missão, ajudar seus filhos a conquistar seus lugares no mundo.

CABOCLO 7 FLECHAS: Guerreiro das matas. Conhecedor profundo de ervas e folhas. Ajuda a resolver problemas urgentes.

ARRANCA-TOCO: Caboclo chefe de falange. Um dos Caboclos mais antigos da Umbanda. Trabalha a determinação e a firmeza em seus filhos. Protege contra falências e dificuldades financeiras.

CABOCLA IRACEMA: Cabocla encantada. Ora pássaro, ora caçadora. Tem como missão ajudar seus filhos a agir com segurança e sempre no momento certo. Ajuda a resolver problemas de ansiedade e dúvidas em geral.

CABOCLA JACIARA: Cabocla ligada aos montes e vales. Guerreira e desbravadora de novos caminhos. Protege contra a preguiça e o desânimo; ajudando seus filhos em novas conquistas.

CABOCLA JUREMA DA PRAIA: Falangeira da Cabocla Jurema. Atua nos limites do mar e rio, onde trabalha pela segurança e equilíbrio na vida de seus filhos. Protege contra o medo, insônia e problemas neurológicos.

CABOCLO VENTANIA: Caboclo ligado as folhas. Conhecedor dos axés que asseguram a lei da sobrevivência na natureza, estimulando o processo de transformação. Ajuda nas conquistas profissionais e amorosas. É extremamente hábil para desfazer maus entendidos e fofocas.

CABOCLA JUREMA DAS MATAS: Falangeira da Cabocla Jurema. Senhora maior das matas. Mãe das falanges das Caboclas. Tem como missão acalentar e defender seus filhos contra os males materiais e morais. Ajuda na criação de filhos e na tranqüilidade do casamento. Benzedeira.

CABOCLO AIMORÉ: Chefe de falange. Conhecedor dos segredos das matas. Representante fiel de Oxosse. Ajuda na intuição e na conquista de alimentos para nossa sobrevivência. Traz boa sorte e sucesso.

CABOCLA IARA: Cabocla ligada às cachoeiras e rios. Encantada, ora Cabocla, ora deusa. Está no limite das águas com a terra. Ajuda a ter prudência. Protege contra falsidade.

CABOCLO TREME-TERRA: Conhecedor de feitiços e encantamentos. Protege contra trabalhos de amarração. Está ligado aos conflitos sociais, no sentido de assegurar a igualdade e a responsabilidade.

CABOCLO PENA BRANCA: Caboclo ligado a Oxalá. Influencia na busca pela tolerância, paciência e equilíbrio. Protege contra prisões e armadilhas.

CABOCLO ROXO: Conselheiro e austero. Amante da ordem e da hierarquia. Protege contra vícios e timidez.

CABOCLO PENA VERDE: Orientador e conselheiro. Protege contra ansiedade e depressão.

CABOCLO GIRA-MUNDO: Caboclo responsável pela doutrina e encaminhamento de obsessores. Protege contra histeria e nervosismo. Guardião dos limites entre os planos astral e material.

Fonte:
PELOS CAMINHOS DA UMBANDA - UOL Blog

A FUNÇÃO DO MANTRA



Quando você tem que reformar um jardim ou uma horta, primeiro arranca as ervas daninhas, prepara a terra, depois replanta novas mudinhas.

Durante algum tempo você tem que regá-las, e elas ficam murchinhas até pegarem. Daí pra frente a própria Natureza já cuida delas.

O Mantra no Fogo Sagrado, é a água da rega na nova mudinha – o Corpo em Luz – que você replantou no lugar das ervas daninhas (os corpos energéticos).

Se você apenas replantasse as mudinhas e não regasse, provavelmente elas morreriam e as ervas daninhas voltariam.

Numa linguagem mais cibernética, o Mantra é o password que você recebe para acessar a versão atualizada do software que foi reinstalado no seu HD, que além do mais, estava com vírus e dando bug... A senha te faz poder acessar o upgrade que foi feito. O Mantra é a forma de se “reenraizar” no inconsciente este upgrade energético que aconteceu.E numa linguagem mais poética, diríamos que o Mantra é a campainha com a qual você chama a você no andar de cima de você mesmo.

O Mantra é o nome da entidade quântica (o Corpo em Luz) - a síntese dos corpos energéticos que foram transmutados. É você mesmo no equilíbrio e na Luz.

Algumas vezes o Corpo em Luz que vem no final da sessão, vem como um Guardião geral do Ministério de Cristo, e o Mantra é o seu próprio nome.

O Mantra neutraliza o que pode acabar acontecendo quando você faz uma limpeza energética mas não trabalha o que originou o problema: em um primeiro momento dá uma despressurizada, uma leveza, mas depois os velhos padrões acabam tendo uma tendência a se reconstruir.

No Fogo Sagrado quando o terapeuta canalizador capta e expressa corpos energéticos, estes conteúdos literalmente saem do campo de energia do cliente, mas continua vibrando no seu inconsciente a memória dos velhos conteúdos, que é sustentada no nível físico por teias de redes neurais no cérebro, que administram uma complexa química de neuro-transmissores e hormônios.

Quando o Corpo em Luz volta para o cliente, ele precisa de um tempo de “enraizamento”, até que as teias neurais dos velhos padrões dê lugar a novas teias neurais que vão dar suporte aos novos conteúdos, crenças e padrões mais equilibrados e expandidos.

Imagine você com sua casa super suja, desarrumada e cheia de lixo. Aí você contrata uma empresa de limpeza, que limpa, organiza tudo e te dá uma vassoura e material de limpeza para você manterr, pois se você não conservar, a sujeira e a desorganização voltam.

O Mantra é a vassoura e o material de limpeza que você usa para manter a casa limpa.

Este Mantra não é necessariamente para ser utilizado na Meditação (embora não tenhamos nada contra) nem para ser repetido mecânicamente o tempo todo.

O Mantra deve ser pensado ou repetido sempre que se perceber que se está incorrendo nos velhos padrões e crenças que foram trabalhados na sessão ou na Roda de Cura, justamente para colocar o complexo mente/emoções/ego conectados com o novo registro que foi trazido pelo Corpo em Luz.

Quando o Mantra cumpre sua função, ou seja, quando o novo padrão é enraizado, quando já existe uma rede neural no cérebro dando suporte para o conteúdo que voltou na Luz, o Mantra naturalmente se vai, assim como um remédio que você não toma mais quando fica bom de uma doença.

Na Mitologia Hindu, por exemplo, funciona mais ou menos da mesma forma que no Fogo Sagrado: os deuses são os Guardiões das qualidades universais – Shiva, é o deus da transformação e da meditação; Krishna, o deus do Amor; Rama, o deus do Dharma; Saraswati, a deusa das artes e da Sabedoria, Lakshmi, a deusa da abundância material e espiritual, Ganesha é o deus que remove os obstáculos etc.
Quando queremos entrar em contato com estas qualidades e virtudes, conectamos com os deuses através dos Mantras – nos Bhajans e Kirtans (cânticos grupais) ou na Meditação.

Normalmente os Mantras hindus são os próprios nomes dos Deuses, e encerram em sua potência sonora vibracional e energética, as qualidades universais que os deuses expressam, fazendo um link direto com nossas próprias capacidades e potenciais.

Imagine, por exemplo, que bilhões de pessoas, há milhares de anos na India, vem intencionando, entoando, cantando, meditando, o mantra OM NAMAH SHIVAYA.

Imagine a energia egregórica produzida e mantida em todo o planeta, trazendo o poder da Transformação da Sombra em Luz e o foco na Meditação e no desapego (que são as principais qualidades de Shiva).

Imagine esta energia egregórica inter-agindo com a poderosa inteligência diretora (Shiva) relacionada ao Mantra.

Imagine estas duas forças inter-agindo com você, que já tem todas estas qualidades dentro mas não acessa, então direciona aos Deuses orações, mantras e meditações que retornam para você amplificadas pela Inteligência/Egrégora, numa eterna e perfeita espiral de crescimento.

O poder e a força do Nome de Deus é reconhecido em praticamente todas as religiões:

No Pai Nosso diz : “... santificado seja o Vosso Nome...”.


 
Os salmos e provérbios da Bíblia estão repletos da conexão com o nome de Deus.

Na religião judaica nem se pronuncia o Nome de Deus (Yaveh), de tão sagrado que Ele é para os judeus. Existem outros nomes para chamá-Lo.

No islamismo o Nome de Allah também é forte e muito importante na religião.

No Hinduísmo, diz-se que na atual era universal (Kali Yuga, a era negra, a era do Ferro, onde a humanidade experimenta seu estado mais primitivo) a conexão com as outras dimensões e com as virtudes é tão bloqueado, que “Deus se faz presente na potência dos seus Santos Nomes”, e isso é amplamente aceito na Índia, independente da linhagem filosófica: Deus e Seu Nome são Um.

E veja como é um ciclo interessante: os Sábios do passado canalizaram estas inteligências diretoras, suas funções, e formas de se fazer contato e de se interagir.

As pessoas cultuaram estas inteligências como mitos antropomorfizados, e as “alimentaram” egregóricamente com intenção, cultos, mantras, canções, orações, meditações.

E ao interagir com estas inteligências, alimentando sua Egrégora, o homem acaba experienciando e realizando por ressonância, que ele também possui estas qualidades universais e que a inteligência do deus é a mesma que a sua – a mesma eterna Consciência. Respire seu Mantra, (re)incorpore suas qualidades. Os Mantras vem ajudar a lhe trazer aquilo que você já é.

A HISTÓRIA DO CATIMBÓ



Catimbó, magia, mistério, ocultismo. Como é difícil falar sobre o catimbó. Esta mistura, às vezes, confundem os adeptos, os simpatizantes, os seguidores do culto.

Dizem os mais entendidos que o catimbó não possui em seus cultos uma hierarquia, porém, tenho consciência de que ela existe e é muito precisa para os trabalhos espirituais da Jurema. Exemplo: um mestre não passa a frente do outro e, nas mesas, tem um dirigente que é um dos grandes mestres, escolhido pela vidência na mesa.

Como nos terreiros de umbanda tem velhos, caboclos, espíritos de cura, boiadeiros que chefiam, casam e batizam seus seguidores, no catimbó é a mesma coisa: temos uma família, uma cidade e um Estado.

O catimbó veio da era medieval, onde bruxos e bruxas, grandes mágicos e até mulatos, carregadores de sinhàzinhas, mascates, caboclos matreiros, negros fugitivos, enfim, todas as classes, principalmente os mais carentes, que tinham que fugir para exercer sua fé, que era proibido na época. Entre mamelucos e cafuzos, negros e índios, europeus de todos os lados, fugiam para a mata, para fazer o Catimbó.

Cat-fogo - timbó-mato; aí está formada a palavra Catimbó, fogo na mata.

Atravessando todo o Brasil, o Catimbó vem se propagando de Norte a Sul. Ele se alinha com a encantaria e entre os senhores mestres da Jurema. É um culto que vem ganhando espaço em todos os segmentos espirituais. Os nossos irmãos do Norte e Nordeste vivem na esperança de poder voltar, um dia, às suas raízes e tradições.

A inclusão de santos católicos no Catimbó foi semelhante ao que aconteceu com os orixás no candomblé, com a única diferença que os Mestres adoram esses santos.

Com a chegada dos primeiros colonos portugueses ao Brasil, houve a mistura com os índios e negros africanos originando, a partir daí, a miscigenação. Aconteceu, também, a aproximação com a magia negra, muito praticada na época.

O Catimbó sofreu influências desde o Amazonas até os Estados da Região Nordeste, misturando toré, pajelança, linha dos ciganos, sensitivos, adivinhos, médicos curadores, também chamados médicos do espaço. Tudo isto é encantaria.

Sendo secular o Catimbó vem se misturando com a Umbanda e trazendo diversas ramificações. Hoje, neste campo, o Mestre Zé Pilintra, com toda sua formação, é introduzido nos terreiros de vários segmentos.

Existem pontos comuns com a Umbanda, porque todo Mestre, que desce para trabalhar, vem falando ou louvando Deus e Jesus Cristo – “E quem pode mais que Deus?” – é sua bandeira de fé.

A cultura do Catimbó, apesar de mítica e secular, já tem suas raízes firmadas nos dias de hoje. O Mestre, o sacerdote, o mentor espiritual é, ao mesmo tempo, rezador, curador, conselheiro e até mesmo Pai ou Mãe na orientação dos seus seguidores. Realizam batizados, casamentos, rituais fúnebres, missas e ladainhas.

Zé Pilintra é considerado o príncipe da Jurema e hoje muitos terreiros trabalham com outras falanges: Zé dos Anjos, Zé do Ponto, Zé Arruda, Zé da Canoa, Zé da Escada, Zé da Rua da Guia, Zé Pereira, Zé do Vale, Zé Enganador, Zé de Aruanda, Zé da Jurema.

Essas chefias vão se ampliando e temos encontrado, enfim, outros falangeiros que estão cheios de ginga e malandragem e trazem para os Estados do Leste e Sul do Brasil, Zé da Lapa, Zé da Mangueira, Zé de Santa Tereza, etc.

É bom que se diga que Zé Pilintra nunca foi ladrão, bandido ou arruaceiro, etc. Ele é e foi um bom malandro. Homem viril, jogador de cartas, que aparecia em sua época e o seu carteado corria mundo.

Existe uma grande falange de Zés no Recife, Paraíba, Alagoas, Ceará, Amazonas, nas taperas, se banhando nos igarapés e rios. São idolatrados tanto por meninas, moças e até damas da sociedade.

Qualquer magia praticada para o bem pode ser usada para grandes finalidades. Objetivamente, o catimbó é a evolução dos guias e dos mestres através do bem e da cura. Se o mal é feito, isso pode ocorrer pela desinformação do médium ou pela necessidade da justiça a quem pede.

O catimbó tem uma base religiosa vinda de várias regiões, é uma prática magística, ritualística, onde entram santos católicos, água benta, outros objetos litúrgicos, trabalhando com incorporações vindas através da necessidade do consulente, principalmente na linha de cura. Problemas materiais e amorosos são as principais finalidades e a sua parte litúrgica têm muitas vezes a ver com os santos católicos.

Para se fazer o mal às pessoas, não é preciso estar no Catimbó. Aliás, o mal não precisa de religião para ser feito.

Os mestres trabalham livremente, porém nunca deixa de ter no seu grupo ou na sua cidade a organização da mesa. Aqueles que tomam parte na mesa da Jurema são os que formam a cúpula, a chefia do trabalho espiritual. Com incorporações, vidências, etc. Exemplificando: se a mesa do Catimbó for dirigida por Zé Pilintra, ele é o primeiro a descer e é o último a subir.

O Catimbó é uma religião do povo, não existe Catimbó sem terços, rezas, água-benta, santos católicos, fumaça do cachimbo, vinho da Jurema ou cânticos fazendo rimas e, tocando seu maracá, os mestres são entidades muito alegres, naturais e espontâneas. Na incorporação dos senhores mestres não existem teatro, não são entidades grotescas, não são exus, são bastante diferentes de outros segmentos.

Não existem mestres do bem ou do mal, porém, eles podem trabalhar na direita ou na esquerda.

Já presenciei, há alguns anos, um Catimbó de mesa de chão, onde o Mestre Zé Pilintra abria a reunião de cura e limpeza de egum.

Fazia a chamada dos mensageiros dos mestres e, depois do trabalho e das mesinhas, onde os consulentes tinham o privilégio de saírem do toque com uma aparência de grande felicidade e a esperança de dias melhores. Seu Zé transmitia uma irradiação cheia de compreensão e pedia para que os mestres na terra, solicitassem aos seus médiuns que abrissem seus corações e que fizessem com que a fé de cada médium, incorporado, fosse imbatível.

Conclusão: daquela força formou-se uma egrégora e daí abriu-se uma luz.

Este fato aconteceu na casa de um babalorixá já falecido (Professor José Ribeiro), em Jacarepaguá, onde o Catimbó era considerado o melhor da cidade do Rio de Janeiro. Predominava, ali, a necessidade do povo. Seu Zé descia, chamava Maria do Acae e, em seguida, o Mestre Carlos.

Os consulentes ficavam todos esperando, sentados nos enormes bancos do salão, uma esteira em forma de cruz, com médiuns, todos de branco, fazendo a corrente. De um lado, Maria do Acae e do outro lado, Mestre Carlos, já bem velhinho e que era o mediador, para tirar os problemas dos consulentes enquanto, na ponta da mesa (esteira de chão), havia outro médium trabalhando como mensageiro de Inhançã, que cremava na panela todos os problemas dos consulentes, prèviamente escritos pelos próprios.

Já de madrugada, não havia mais tempo para toque: era tarde, a madrugada já começava trazendo o amanhecer. No dia seguinte, todos tinham seus empregos. Isto era uma sessão de Catimbó e seu Zé Pilintra subia, cantando e recitando loas e versos:

- Salve seu Zé Pilintra, Mestre Carlos e Maria do Acae!

Já presenciei em outra casa, em Jaboatão-Recife (Pe), onde os guias desciam e não dançavam: primeiro trabalhavam e faziam seus Catimbós e depois, então, iniciava o toque. Era de enlouquecer a demora e os mestres diziam:

- Primeira a devoção, vamos trabalhar, desmanchar macumba, feitiço, catimbó e azar.

Depois de todos os consulentes atendidos, os maracás começavam a tocar e, aí então, vinha a grande dança do Catimbó, na magnífica e contagiante pisada dos senhores mestres.

É preciso ter cuidado para que as sessões não pareçam uma festa pagã: Jurema tem fundamento e a sorte é Deus quem dá. Vamos respeitar e louvar o Mestre na sua cidade real - afirmava Mestre Pilão.

Existem muitos tipos de mestres e variadas incorporações na linha da Jurema. Todos são responsáveis por suas atividades.

A lei da mata é a mesma para todos. Em cada casa é plantado um pé de Jurema e aí, nasce uma cidade encantada, que recebe o nome de um mestre, escolhido pelos donos da casa.

Esta é uma característica de independência de cada mestre. Sua força e seriedade fazem com que estes mesmos mestres sejam temidos e respeitados não existindo, aí, nenhum critério de comparação com o pantheon africano.

Dentro do catimbó trabalha-se com muita luz e sendo a Jurema uma linha indígena, temos exemplos de alguns grandes mestres, como o famosíssimo Pai Joaquim, um velho da Índia e que vem na chefia das sessões de Umbanda ou linhas cruzadas, como a linha da Jurema, fazendo lavagem de cabeça.

Rei Heron, que é doutrinador e curador católico, apaziguador, é um grande chefe de mesa; Mestre Tupã, que é um espírito de grande força astral, chefe de um grande reino e faz parte das cidades santas, é conciliador.

Mestre Caboclo Urubatan, é morador das cidades encantadas dos rios verdes, é guia para os perdidos e fechador de corpos. Não faz feitiços, nem magias, mandingas ou catimbó, só trabalha para doutrinar falangeiros e seguidores.

Mestra Laurinda, parteira, curandeira e rezadeira.

Mestre Carlos, o Rei do Catimbó, que passou três dias e três noites, dormindo no tronco do juremá e, quando se levantou, estava pronto para trabalhar.

Mestra Maria Luziária, vaidosa, conselheira, defensora das mulheres, apaziguadora dos homens, por vezes mandingueira, brejeira e casamenteira. Dizem que é uma entidade muito bonita.

Conta a história que Maria Luziária foi a primeira esposa de Zé Pilintra e só trabalha para o amor e para fazer o bem. Compositora, suas músicas são suaves e apresentam um enredo de muito bom gosto.

Mestra Iracema, rainha da cidade encantada de Panema, vem beirando o mar, se preocupa muito com crianças e pessoas idosas e é uma cabocla de pena.

Enquanto Eu viver sobre a Terra,
Enquanto Eu viver sobre o mar.
Salve! A Cabocla Iracema.
Salve! A Sereia do Mar.
Eh! Eh! Eh! Eh! (Bis)

Mané Maior é outra entidade de ação, como príncipe canindé, caboclinho, corredor da mata virgem, aquele que traz as folhas, juntamente com os tapuias e canindés, para fazer a linha da fumaça e do mel de abelhas. Quando baixa no terreiro, louva sempre Jesus Cristo, Padrinho Cícero Romão, São Severino do Ramo, Santa Teresa, Nossa Senhora da Lapa, a Virgem da Conceição e outros.

Os catimbozeiros não perdem causas e os senhores mestres são impulsivos, otimistas e bastante generosos. O círculo que fazem no astral sobre o seu consulente é que tem valor e nas suas invocações estão sempre procurando um canal de luz, onde possam entrar e resolver os problemas dos consulentes.


Fonte:
ABIGAIL KANABOGY
Caboclo Tupynambá da Cobra Coral
CATIMBÓ
Trecho extraído do livro: "Rituais e Mistérios do povo Cigano" de Nelson Pires Filho - Ed. Madras

Mediunidade de Incorporação




Inconsciente
Neste caso, a posse do guia sobre o corpo do médium é total. Uma vez terminada a incorporação, o médium de nada recordará dos fatos ou pessoas que com os seus guias tiveram contato. Esse tipo de mediunidade NÃO É COMUM. Na média, a cada 100 médiuns, em início de seu desenvolvimento, de 1 a 3 médiuns poderão ser totalmente inconscientes.

Semiconsciente
Neste caso, o médium ao final da incorporação, terá vagas lembranças dos fatos e pessoas que com o seu guia tiveram contato. A manifestação do guia será forte e claramente sentida pelo médium, porém, a lembrança dos fatos desaparece rapidamente, podendo-se comparar a um sonho, rapidamente esquecido. Esse tipo de mediunidade é mais comum, ou seja, a cada 100 médiuns em início de seu desenvolvimento, 15 ou 20 estarão desta forma classificados.

Consciente
Neste caso, o médium, uma vez incorporado, permanecerá lúcido e perceberá totalmente o que se passa a sua volta. O médium, porém, terá a certeza de estar sendo comandado, isso porque perceberá fatos, como movimentos das mãos e dos braços, sem o seu comando, perceberá a pronúncia de palavras e frases sem o seu comando, e ainda perceberá o movimento do corpo, também sem o seu comando. A mediunidade de incorporação consciente é a que mais confusão causa na mente do médium. Muitos a classificam de intuitiva, na qual o médium transmite com suas palavras às idéias ou mensagens que o seu guia envia à sua mente. Esse tipo de mediunidade é a mais comum, ou seja, dos 100 médiuns citados como exemplo, em que separamos os inconscientes e semiconscientes, todos os demais serão inicialmente conscientes. Dizemos inicialmente conscientes porque, com o passar do tempo, a afinidade do médium com o seu guia, aliada à fé que o médium desenvolver em seu guia, bem como ao seu desenvolvimento moral, junto com seu merecimento, poderá essa consciência ser aos poucos retirada, podendo o médium chegar aos outros dois estágios. Porém, será necessário muito merecimento, muita fé e muita dedicação por parte do médium.

SARAVÁ NANÃ BURUQUE !!!! SALUBÁ MINHA MÃE




segunda-feira, 26 de julho de 2010

São Joaquim e Santa Ana


 Dos pais da Santíssima Virgem nada nos transmitiram os escritos inspirados do Novo Testamento. O pouco que sobre eles conhecemos deve-se a vários livros apócrifos, como o Proto-Evangelho de são Tiago, o Pseudo-Mateus e o Evangelho de Maria, que apresentam sempre um núcleo de verdade e história, embora em muitas coisas sejam lendários.
        O pai de santa Ana chamava-se Mátan e era natural de Belém; o marido dela era galileu e chamava-se Joaquim. A Igreja recebeu e consagrou os nomes de Ana e Joaquim, e é também muito universal e antiga a tradição sobre a esterilidade e senilidade de ambos os esposos, quando Deus os abençoou com o nascimento da Virgem Maria.
        O culto de santa Ana e de são Joaquim é antiqüíssimo, sobretudo entre os Orientais, como o revelam são Gregório Nisseno e santo Epifânio, os hinos gregos e as homilias dos Santos Padres, que louvam extraordinariamente a bem-aventurada mãe da Virgem Maria. Justiniano mandou construir em Constantinopla uma igreja em honra de Santa Ana - isto em 550. Em 636, ano da tomada de Jerusalém pelos muçulmanos, existia já, em honra da mãe de Maria Santíssima, uma basílica, hoje esplendidamente restaurada, junto da piscina probática, basílica em cuja área a tradição estabelece o lugar do nascimento da Mãe de Deus. Consta de três naves esplêndidas, que terminam em ábside. No altar-mor há uma estátua preciosa de Santa Ana ensinando a Sagrada Escritura à Filha, recordação que inspirou muitos artistas, por exemplo, o imortal Murillo.
        Os Sírios veneram santa Ana com o nome de Dina, a 25 de Julho. Mas geralmente os Orientais tendem a colocar a festa dos pais de Maria junto da sua Natividade ou da Assunção ao céu. No Ocidente, o culto de santa Ana não é anterior ao século VIII. Num nicho da basílica de Santa Maria Antiga, no foro romano, há uma pintura do mesmo século que representa três mães, cada uma com o seu filho: santa Ana com a Virgem, santa Isabel com são João, e Maria com o Menino Jesus. A festa litúrgica de santa Ana começa a aparecer, por aqui e por acolá, em pleno decurso da Idade Média. Entra definitivamente no Missal Romano em 1584, no tempo de Gregório XIII.
        O nome de Ana é em hebraico Hannah ou Joana, e exprime graça. Joaquim equivale a «Javé prepara ou fortalece». Ambos os nomes indicam, portanto, a sua missão divina: preparar em Israel a realização das promessas messiânicas, sendo eles os imediatos progenitores da Mãe do Salvador.
        Pouco nos consta da vida externa destes dois santos esposos. Basta-nos saber que foram pai e mãe da «cheia de graça, a bendita acima de todas as mulheres e a mãe de Jesus». Sabemos que no seio de Ana germinou a plenitude da graça; que nas suas entranhas se realizou o mistério da Imaculada Conceição.
        Os dois anciãos tinham por muito tempo suplicado ao Senhor uma bênção; e afinal veio a ser-lhes concedida em abundância. Todos os anelos, todos os suspiros apaixonados dos antigos patriarcas se tinham condensado neles, e neles se condensou também a realização de todas as promessas de Deus, ao fazê-los pai e mãe de Maria. Eles foram a haste donde brotou a flor que havia de produzir o fruto bendito, que é Jesus, o Salvador. É isto o que sabemos de santa Ana e são Joaquim. Basta e sobra para a nossa devoção e o nosso reconhecimento. Grandes tiveram de ser aqueles corações e muito santos, para Deus os escolher como pais da Virgem Imaculada, Mãe de Deus.